Santo: São Hipólito

By | 09/06/2016

Hipólito (Roma 170?–235), foi um Antipapa, oponente ao papa Zeferino, que, na sua opinião, não estava suficientemente preparado para detectar e denunciar as heresias que atentavam contra a Igreja de Roma. Era cidadão romano, por nascimento.

De família nobre, teve formação teológica, tornando-se defensor da doutrina e da disciplina da Igreja. Fez-se antipapa por não concordar com a escolha de Calisto e a Ponciano. Seu cisma durou 20 anos e separou frontalmente a Igreja. Fez-se ordenar bispo da cidade de Óstia e granjeou posição, a ponto de ombrear-se com o próprio papa de Roma.

São Hipólito de Roma

São Hipólito de Roma

No fim da vida, foi degredado junto ao papa Ponciano, com o qual se reconciliou no exílio. Morreu nos trabalhos forçados, nas minas da ilha da Sardenha, que em meio a duras condições de trabalho, veio a partilhar com o papa a palma do martírio em 13 de agosto de 235. Foi enterrado em Roma junto do papa Ponciano. Hoje é venerado como santo no mesmo dia de seu martírio.

Hipólito era cidadão romano, nascido na capital, Roma. Foi preparado por sua família para a carreira das honras. Entretanto, preferiu a carreira da espada: a militar. Recusou ser questor na cidade de Óstia, e em ser nomeado edil na cidade de Prato, para ser soldado pretoriano. Sempre demonstrou predileção às jornadas bélicas às ofertas de seu tio Claudius, que era Cônsul em Roma para que participasse mais ativamente da vida pública, e dos pedidos de seu pai, Valerius Quintus, que freqüentasse mais o Fórum. Foi de seu agrado ser nomeado centurião da 3ª Legião de Félix, acantonada na cidade de Arpino, no Lácio, onde sua família tinha uma grande propriedade rural. Uma queda do seu cavalo força-lhe a se imobilizar pôr alguns meses, o que repousa a contra gosto e passa o tempo em apraz estudar. Alguns cronistas afirmam que sua simpatia pela causa cristã vem da época das campanhas que participou em Agrigento, onde lado a lado, esteve com vários adeptos desta seita que crescia até entre os soldados. Seu tutor de nome Orestes de Corinto, também era cristão. Sua relação com os cristãos se estreita quando uma vez batizado por Lourenço, é acolhido como igual pela jovem comunidade da Sicília e seus membros no exílio.

O Martirológio Romano classifica a Hipólito como o mesmo mártir citado na Acta de São Lourenço. Segundo este documento, Hipólito era o oficial encarregado de tomar conta de Lourenço, quando este estava na prisão, sendo por ele convertido e batizado. Ele presenciou o enterro do mártir, e, por assim ter agido, foi intimado a comparecer perante o imperador, que o censurou por desonrar o uniforme imperial e a missão a ele confiada, mediante uma “conduta inconveniente a um oficial e a uma pessoa distinta”, e ordenou que fosse açoitado. Ao mesmo tempo, Santa Concórdia, enfermeira de Hipólito, e mais dezenove outros foram espancados até a morte com açoites providos de bolas de chumbo. O próprio Santo Hipólito foi sentenciado a ser despedaçado pela força de cavalos. A sentença do imperador só não foi plenamente cumprida, pelo seu desígnio de atender aos apelos da influente família do condenado, composta de membros ilustres da sociedade romana, sendo que apenas deveria ser açoitado e enviado a uma província distante para onde continuaria prestando serviço à Roma.

Hoje, sabe-se que o local designado pelo imperador, foi a Sicília. Na antiga cidade de Agrigento ou Acragas, conhecida na época como Porto Empédocles, costa sul da ilha (hoje porto de Agrigento), local quente e que vivia sua população a provocar tumultos onerosos a Roma, que atendia pelo sugestivo nome de “Molo di Girgenti”. O imperador o enviou para tomar parte no bloqueio a que estava sendo vítima, e que se esforçavam os soldados para tomá-la. Esta cidade só foi submetida pelas tropas romanas em 210. E há certeza histórica que Hipólito tomou parte neste cerco a esta cidade.

Presbítero da Igreja de Roma, exercia sua vida religiosa com austeridade. Líder de um forte movimento dentro da Igreja chamado “Os rigoristas” que encontrou muitos adeptos entre os seus irmãos vindos da Sicília que o acompanharam até Roma, e que eram conhecidos pelo zelo extremado pela Igreja de Cristo. Hipólito e seu grupo entraram em conflito com o Papa Calisto (217-220), pôr pensar que o novo Pontífice, ao relaxar a legislação demasiado dura sobre o casamento e a penitência, estava abandonando a tradição católica. Justificando, com este motivo, sua posição irredutível, Hipólito escreveu o tratado sobre A Tradição Apostólica, fonte de primeira importância, para conhecermos a Igreja de seu tempo. Queixou-se também, de Calisto, de que tivesse este papa sendo condescendente quanto ao fato de se cometer um pecado mortal, não ser razão suficiente para depor um bispo, como alegava o contrário a Hipólito. Reclamava também, do fato que o Papa tivesse admitido às ordens a quem se tinha casado duas ou três vezes e que tivesse reconhecido a legitimidade dos matrimônios entre os escravos e mulheres livres, o que estava proibido pela lei civil. Combateu as mais variadas heresias, e foi grande defensor da sã doutrina e disciplina.


Hipólito era um homem pouco dado ao perdão. E suas atitudes pouco conciliatórias só poderiam causar problemas no seio da Igreja. Suas “implicâncias” eram tão “ferozes”, suas críticas tão “ácidas”, seu palavreado tão propenso à discussão, que começaram a “minar” a autoridade papal com grandes recriminações que atingiam com francas e amplas censuras diretamente ao papa Zeferino, pôr ser, em sua opinião, não suficientemente preparado para detectar e denunciar a heresia. Pôr ocasião da escolha de São Calisto I, ele interrompeu as relações com a Igreja de Roma, e, reunindo seus inúmeros seguidores, consentiu ser ordenado Bispo de Óstia, e em ser colocado como antipapa; opositor ao Papa, fundando uma igreja própria, arrastando no cisma parte do clero e do povo de Roma. Sua postura intransigente, acrescentando-se suas divergências pessoais de oposição, e, a não disfarçada inveja, porque Calisto fora o preferido pelo clero a ele como sucessor do Papa Zeferino, fizeram nascer um cisma que durou vinte anos, e, continuou durante o pontificado de Ponciano, que contudo conseguiu, com a sua magnanimidade reconduzir Hipólito e o seu grupo à unidade da Igreja. Ponciano, exilado em 235 na Sardenha e condenado aos trabalhos forçados, demitiu-se pouco depois de ter chegado à ilha. É a primeira vez que isso acontece na história dos Papas. Demitiu-se, não só para, não criar dificuldades à Igreja de Roma durante a sua ausência, mas sobretudo para facilitar a Hipólito, que com ele tinha sido condenado ao exílio e ao trabalho forçado das minas, em duríssimas condições, numa região da Sardenha, com poucas chances de sobrevivência. Em meio ao assassinato do imperador Severo Alexandre, seu sucessor, Maximino reiniciou a perseguição contra a Igreja, e Hipólito foi também desterrado como o Papa Ponciano à Ilha insalubre de Sardenha. Após se reencontrarem, comovido, Hipólito retorna à Igreja, reconciliam-se, passa a aceitar a figura do Papa como seu legítimo representante e ambos recebem a graça de partilhar a palma do martírio.

O Papa Dâmaso, em seu diário, justificando a escolha de Hipólito para ser elevado a honra dos altares, diz que reconhece nele qualidades heróicas e preciosas, sendo declarado santo e mártir. Martírio que ocorreu em 235, no mesmo ano de seu exílio, e é reconhecido seu zelo extremado pela Igreja de Cristo ao ponto de morrer por Ela. Sua devoção demonstra bem o seu carisma e seu fervor. É o padroeiro dos defensores da Fé. É reconhecido como bispo da cidade de Óstia e teólogo fecundo. O papa Ponciano e o antipapa Hipólito de Roma foram sepultados na cidade eterna. Hipólito na Via Tuburtina e Ponciano nas catacumbas de São Calisto.

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